Lançamento do Livro

Lançamento do Livro
Gov. Jaques Wagner Bentivi e Airam Ribeiro

sábado, 6 de novembro de 2010

Uma canção para Giovana - in memória



Parece que o retrato fala
Na parede lá da sala
Ouço a voz que embala
Dizendo numa linda canção:
- O meu espírito perfeito
Não lhes deixou fora de jeito!
Estou do lado do peito
Dentro do seu coração.

Estou em todo o lugar
São muitos para afagar
Sei que estão a me amar
Mas lhes digo: - aqui estou!
Deus me deu este presente
Eu nunca fiquei ausente
Estou eternamente
Ao lado de quem me amou.

Na entrada do corredor
Tem retrato de uma flor
É um pedaço do vovô
Que se foi com pouco tempo,
Sinto seus olhos a me fitar
Da um sorriso ao me olhar
Eu fico horas a meditar
Embalando-a em pensamento.

Caveirinha laite



Papai cum mamãe ta lá
Naquele lugá só dançano
A festa lá num pode pará
E eu fico de cá só oiano
Aquelas duas cavêra
Na festa nun são as primêra
Qui ali tão festejano.

Aqui eles só brigava
Do outro lado a coisa mudô
A gente vai num leva nada
Do que fizemo nada restô
Nun qué se lembrá do qui fizéro
Pois hoje ali no cemitéro
É cumemorá o novo amô.

Hoje é dia de finado
E lá ta cá sanfona o Gonzagão
As duas cavêra atracado
Relemba na terra o São João
A aligria é contagiante
E eu a quarqué instante
Posso tomém ta ali no salão.

Pruquê eu nun vim aqui pra ficá
Tô a espera da hora aparecê
A minha vêiz de tomém ir pra lá
Pra meus amigo todos eu revê
E tê um dia de finado só pra mim
Aqui nun tem o dia dos qui ta vivim
Inda num sei, eu nun sei pruquê!!!!

To injuado de cê gurduxo
Já xega de tanto colesteró
Só percupo in inxê o buxo
E armentá o doce no glicó
Eu quero é cê u’a cavêra laite
Sem se percupá cum alfaiate
O qui quero é isso aí, é só.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Oiano a revuada


A sôdade já fez morada
Dento do meu coração
A sabiazinha marvada
Nun mais ligô pra mim não
Todos os dia nas revuada
Fico oiano nas estrada
Pelos céu da imensidão.

Cum meu biquin a rezá
E juntano as minha azinha
Pidí a Deus préla alembrá
Dessa pobre avizinha
Qui pur nun guentá vivê sozin
Foi pra longe fazê seu nin
Onde revua as andurinha.

Vez inquando u’a indurinha
Em meu nin vem visitá
É papo a noite inteirinha
Mais é só pra proziá
Pois a sôdade qui é os monte
Fica de ôio lá no orizonte
Isperano minha sabiá.

Cunheço tudo do sertão, pruquê eu vim foi de lá




Meu jegue no seu cangote
Carregava água limpinha
Nóis subia a ladeirinha
Em cada lado dois carote
Enxia vasilhas e pote
Despois ele ia discansá
Sempre vevia a trabaiá
Cumia inté papelão.
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Eu cunhêço a pimentêra
Qui é quente pra daná
O bofe ela vai temperá
Né bom logo ir de premêra
Qui é quente iguá foguêra
E uma quintura de lascá
Macaxêra vai quemá
Cum mutia lenha no fugão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Urubu ta lá vuano
Pruquê o bizerro nasceu
O imbigo num desceu
Ancim ele vai devorano
Quema cum ói vai oliano
Para dá bom resurtado
Se o bizerro num vingá
Um arguém vai li xingá
E esse arguém é o patrão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Se tivé cum inxurrí
Mió dizê caganêra
Pega ôi de goiabêra
E faiz um xá disso aí
Pras bosta pará de saí
E o bizerro pudê sará
Mais num dêxa ele andá
Pro lado das água não
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Sê qué ir num relabuxo
Pra móde se adivertí
Coidiado qui aquilo ali
É um grande apertuxo
Refulengo né som de luxo
Dos pé de bode a tocá
E o suó fica a derramá
No corpo inrriba do xão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

É ni dia de Son Juzé
Qui o mio a lavradô pranta
Da terra ele se alevanta
Pra alimentá os garnizé
Homi minino e muié
Cumeça intão trabaiá
Pra o mio todo tirá
Para assá no São Juão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

A festa do Bom Jesuis
Só quem faiz é os romêro
Viaja cum muitio esmêro
Para arcançá uma luis
Padim Ciço é qui conduiz
Os romêro qui vai viajá
Ele abençoa todos lá
Pur cauza das devução
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Todo bom cabra da peste
Tem pexêra na cintura
A valentia se amistura
Se qué vê faça um teste
Mais digavá num investe
A covardia num mora lá
A valentia é naturá
É a curtura daquele xão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

Tem caxôrro nas ossada
E nem uma nuvi no céu
Eu aqui nesse cordéu
Penso na vida passada
Quando num se via nada
Era só seca no lugá
Tomém mutio carcará
Disputano muitios ossão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Paxão escundida no peito-interagindo com Hull de La Fuente



Interação do poeta Airam Ribeiro para meu texto “Noiva di Chicu Bentu”.de Hull de La Fuente http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/2584122

Paxão iscundida nu peitu
(dueto com Airam Ribeiro)


Inda alembro era minino
Lá na iscolinha do interiô
Eu num era muitio ladino
Nessa questão de amô.
Te amava as iscundida
Mais cum a alma firida
Eu fui sempre um sofredô.

Inquanto tu batia as aza
Pra xico Bento o facêro
Eu ia pra minha casa
Cum meu distino traiçuêro
Pru cauza dum caipira
Quagi qui cum u’a imbira
Minforcava no dizispêro.

Ele fugiu cum a Rozinha
Te dexano num dizalento
Pensei, ela agora é minha
Vai isquecê Xico Bento
Mais pra mim ocê num oiô
E eu cuntinuei cum a dô
Sem isperança só tormento.

Inté oji inda te ispéro
Istá aberto meu coração
Xico Bento ta cum ôtra
Ele num gosta docê não
Ele num te qué nem sabê
Vem pra quem gosta de ancê
Vem matá minhas paxão.

Joga essa aliança fora
E óia mais para quem te qué
Vamos juntá os pano agora
Bota no meu amô mais fé
Eu vô te ajudá a isquecê
Aquele que te fez sofrê
E seja lá o qui Deus quizé.


MUSA DU PASSADU
Hull de La Fuente

Si tu sufria na iscola
Purqui nunca falô nada?
Pra ninguém eu dava bola
Eu era invergonhada.
Só cum meus dizesseis anu
Mudô tudim us meus pranu
Pur ficá inamorada.

Eu nunca bati as aza
Pois meu pai nunca dexô
Eu namorava im casa
Nunca fui di fulosô.
Fui gostá di Chicu Bentu
Mais issu inda lamentu
Minha vida si atrapaiô


Si ocê di mim gostava
Pra mim nunca demonstrô
Cas outra ocê brincava
Ti vi inté danu flô.
Nas trança da Filumena
Ocê pois uma açucena
E um versu decramô.

Ocê casô ca Maria
Pur ela era apaxonadu
Teve uma renca di fia
I cuntinuô caladu?
Dispois seu céu fico turvu
Quano ocê fico viúvu.
Nunca mi mandô recadu.

Mais si é verdadi a paxão
Qui ocê senti pur eu
Dependi da cundição
Vô ti aceitá meu Romeu.
E a parti dessa óra
Jogo a aliança fóra
Já ti cunsidéru meu.


Airam Ribeiro
.

Essa musa do passado
Min deu tanta inspiração
Ficava te oiano de lado
Quagi lôco de paxão
Pru cauza de Xico Bento
Eu nun tumava intento
Isperano a ocasião.

Um dia levei u’as fulô
Inté maginava a sena
Eu ia te falá de amô
Mais eis quem te acena!
Fiquei cum reiva no momento
Tu se abraçô Xico Bento
Eu dei as fulô Filomena.

Inté préla uns verso fiz
Mais tava oiano procê
A muié qui num mi quis
E qui min fazia sofrê
Da Filó eu min afastei
Pois dela nunca gostei
Pois só pensava ni ocê.

E ocê cuntinuava
Cum Xico Bento incrontá
Antonce eu min afastava
De ocê bem digavá
Foi quando cuicí um dia
U’a muié de nome Maria
Qui cum ela eu fui cazá.

Mais o distino num quiria
E fez a preparação
Levô Maria um dia
Vi saino no caxão
Dexano os fio duente
E os pobrizin inocente
Fui criá sem condição.

Eles intão se crescêro
E o mundo eles ganhô
De mim dizaparicêro
E sozin sem ninguém tô
Mais agora te incrontei
E jamais eu dexarei
Iscapá ocê meu amô.

Ta quais pronto o ranxin
A inergia nóis usa o luá
Tulevizão é a jinela
Para o céu nóis oiá
As luis vem dos pirilampo
E os ares puro do campo
É qui nóis vai respirá.

A água vem lá da serra
Onde tem u’a nascente
Ela vem imbáxo das terra
Vem nos cano tô ciente
Nóis vai bebê água pura
Pois ela vem cum fartura
Sem ninguém cobrá da gente.

E lá naquele ranxin
Nóis vai relembrá o passado
Ao lado da fogueira e quentim
Nóis vai cumê mio assado
E nas noite de São Juaão
Nóis vai dançá no salão
Agarradim, abraçado.




http://osertaoempoesia.blogspot.com/2010/10/reencarnacao-dum-sabia-airam-ribeiro.html

segunda-feira, 29 de março de 2010

A lenda da mandioca











Esta raiz maravilhosa
Que dela é tudo gostoso,
Nos conta os índios parecís
Das bandas de Mato Grosso.

Zatiame uma índia
De nome Kôkôrêtô,
O seu filho Zôcôiê
E a filha Atiôlô.

O pai amava o índio
Que era sua maravilha,
Porém nunca dirigiu a palavra
Para a índia sua filha.

Ela muito desgostosa
Por não ter esse carinho,
Queria ser enterrada viva
E para a sua mãe pediu.

Desejava ser útil aos seus
Assim falava Atiôlô,
E o seu pedido foi fazer
A mãe índia Kôkôrêtô.

Cedendo aos rogos da filha
Foi enterrada no cerrado,
Porém ali não pôde resistir
Porque o calor era danado.

Rogou que a levasse para o campo
Onde poderia sentir bem,
Mas no campo não deu certo
E tornou implorar também.

Mais uma vez pediu
A sua mãe Kôkôrêtô,
Que a enterrasse na mata
Que assim fez com muito amor.

Lá se sentiu à vontade
Que pediu a mãe que retirasse,
E que não volvesse seus olhos
Enquanto ela não gritasse.

Depois de muito tempo
Enfim, a filha gritou,
Para lá saiu correndo
A sua mãe Kôkôrêtô.

E onde enterrou a filha
Veja o que aconteceu!
Surgiu uma plantinha
Que na cova nasceu.

Um arbusto foi crescendo
Que rasteiro foi ficando,
Kôkôrêtô assim que viu
A sepultura foi limpando.

Limpou logo o solo
Que a plantinha viçosa,
Sustentada por uma raiz
Grande e maravilhosa.

Deu-se o nome de mandioca
A raiz daquela plantinha,
A filha ajudou os seus
Dando-lhes tapioca e farinha.

Airam Ribeiro

quinta-feira, 11 de março de 2010

O mel
















Fui um dia colher mel
Num enxame de abelhas
Levei tanta ferroada
Que a pele ficou vermelha.

Apesar de tudo isso
Eu pude saborear
O mel gostoso das abelhas
Que um dia fui tirar.

Quanto doce é o mel
Eu pude observar
Então eu fiquei pensando
Dos que não tem paladar.

O mel é tão gostoso
Se puro ou no pão
Ele é muito apreciável
Na capital, no sertão.

Ele vem lá das flores
Colhida com muito carinho
Tome um pouco deste mel
Verás que é muito docinho.

Airam Ribeiro