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terça-feira, 8 de dezembro de 2020
Versos improvisados
Airam Ribeiro
Lendo com todo o cuidado
Os pedidos preu escrever
Este já ficou separado
Pois tratava de um padicê
Lá de um passado distante
E estava naquele instante
Pedindo pra em versos fazer.
Recebi um dia um amigo
Desses que não tem alegria
Pediu-me então um abrigo
Dentro da minha sabedoria
Nun lhe fiz vista grossa
Pedi que entrasse na palhoça.
Veja o que o amigo dizia
- Poeta faça para mim
Uns versos improvisado
Conta tin tin por tin tin
As coisas do meu passado
Quando a gente envelhece
Muita coisa não esquece
Fica na mente guardado.
E contando a sua história
Pedindo para eu rimar
Vasculhando sua memória
Começou então a me contá
Lembrou do seu passado
De quem estava ao seu lado
Só não quis citar o lugar!
Pedindo de novo, por favor,
Pra eu usar minha inspiração
Eu fiquei ao seu dispor
E fui escutando com atenção
Enquanto ele me falava
Ví duas lágrimas que rolava
De seus olhos até o chão.
E disse daquela pretinha
De um drur’s lá no portão
Da vida boa que ele tinha
Trazendo-lhe recordação
De um beijo demorado
Que deixou lá no passado
Junto com sua ingratidão.
Diz poeta para mim
Escreve da felicidade
Diz tin tin por tin tin
Fala daquela maldade
Porque ela não merecia
Perder aquela alegria
Que ela tinha na mocidade.
Diz daquele abandono
Que estou a remoer
Como cachorro sem dono
Retirei-me sem perceber
Diz poeta, por favor,
Conta sobre a minha dor
E de todo o meu padecer.
O tempo não volta mais
Pra tudo isso concertar
Se o tempo voltasse atrás
Talvez pudesse encontrar
A música preta pretinha!
E também uma fotinha
Eu guardo preu recordar.
Tudo isso ele ia dizendo
E pedia para as rimas por
Com a caneta ia escrevendo
Para lhe fazer um favor
Quando as estrofes leu
Disse adeus e me agradeceu
Pegou a estrada e se mandou.
Muitos tantos tem por aí
Curtindo a sua saudade
Este amigo nunca mais vi
Andando nesta cidade
Dizem que virou andarilho
E que ta no mundo sem brilho
Procurando a felicidade.
sábado, 6 de novembro de 2010
Uma canção para Giovana - in memória

Parece que o retrato fala
Na parede lá da sala
Ouço a voz que embala
Dizendo numa linda canção:
- O meu espírito perfeito
Não lhes deixou fora de jeito!
Estou do lado do peito
Dentro do seu coração.
Estou em todo o lugar
São muitos para afagar
Sei que estão a me amar
Mas lhes digo: - aqui estou!
Deus me deu este presente
Eu nunca fiquei ausente
Estou eternamente
Ao lado de quem me amou.
Na entrada do corredor
Tem retrato de uma flor
É um pedaço do vovô
Que se foi com pouco tempo,
Sinto seus olhos a me fitar
Da um sorriso ao me olhar
Eu fico horas a meditar
Embalando-a em pensamento.
Caveirinha laite

Papai cum mamãe ta lá
Naquele lugá só dançano
A festa lá num pode pará
E eu fico de cá só oiano
Aquelas duas cavêra
Na festa nun são as primêra
Qui ali tão festejano.
Aqui eles só brigava
Do outro lado a coisa mudô
A gente vai num leva nada
Do que fizemo nada restô
Nun qué se lembrá do qui fizéro
Pois hoje ali no cemitéro
É cumemorá o novo amô.
Hoje é dia de finado
E lá ta cá sanfona o Gonzagão
As duas cavêra atracado
Relemba na terra o São João
A aligria é contagiante
E eu a quarqué instante
Posso tomém ta ali no salão.
Pruquê eu nun vim aqui pra ficá
Tô a espera da hora aparecê
A minha vêiz de tomém ir pra lá
Pra meus amigo todos eu revê
E tê um dia de finado só pra mim
Aqui nun tem o dia dos qui ta vivim
Inda num sei, eu nun sei pruquê!!!!
To injuado de cê gurduxo
Já xega de tanto colesteró
Só percupo in inxê o buxo
E armentá o doce no glicó
Eu quero é cê u’a cavêra laite
Sem se percupá cum alfaiate
O qui quero é isso aí, é só.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Oiano a revuada

A sôdade já fez morada
Dento do meu coração
A sabiazinha marvada
Nun mais ligô pra mim não
Todos os dia nas revuada
Fico oiano nas estrada
Pelos céu da imensidão.
Cum meu biquin a rezá
E juntano as minha azinha
Pidí a Deus préla alembrá
Dessa pobre avizinha
Qui pur nun guentá vivê sozin
Foi pra longe fazê seu nin
Onde revua as andurinha.
Vez inquando u’a indurinha
Em meu nin vem visitá
É papo a noite inteirinha
Mais é só pra proziá
Pois a sôdade qui é os monte
Fica de ôio lá no orizonte
Isperano minha sabiá.
Cunheço tudo do sertão, pruquê eu vim foi de lá

Meu jegue no seu cangote
Carregava água limpinha
Nóis subia a ladeirinha
Em cada lado dois carote
Enxia vasilhas e pote
Despois ele ia discansá
Sempre vevia a trabaiá
Cumia inté papelão.
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Eu cunhêço a pimentêra
Qui é quente pra daná
O bofe ela vai temperá
Né bom logo ir de premêra
Qui é quente iguá foguêra
E uma quintura de lascá
Macaxêra vai quemá
Cum mutia lenha no fugão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Urubu ta lá vuano
Pruquê o bizerro nasceu
O imbigo num desceu
Ancim ele vai devorano
Quema cum ói vai oliano
Para dá bom resurtado
Se o bizerro num vingá
Um arguém vai li xingá
E esse arguém é o patrão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Se tivé cum inxurrí
Mió dizê caganêra
Pega ôi de goiabêra
E faiz um xá disso aí
Pras bosta pará de saí
E o bizerro pudê sará
Mais num dêxa ele andá
Pro lado das água não
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Sê qué ir num relabuxo
Pra móde se adivertí
Coidiado qui aquilo ali
É um grande apertuxo
Refulengo né som de luxo
Dos pé de bode a tocá
E o suó fica a derramá
No corpo inrriba do xão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
É ni dia de Son Juzé
Qui o mio a lavradô pranta
Da terra ele se alevanta
Pra alimentá os garnizé
Homi minino e muié
Cumeça intão trabaiá
Pra o mio todo tirá
Para assá no São Juão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
A festa do Bom Jesuis
Só quem faiz é os romêro
Viaja cum muitio esmêro
Para arcançá uma luis
Padim Ciço é qui conduiz
Os romêro qui vai viajá
Ele abençoa todos lá
Pur cauza das devução
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Todo bom cabra da peste
Tem pexêra na cintura
A valentia se amistura
Se qué vê faça um teste
Mais digavá num investe
A covardia num mora lá
A valentia é naturá
É a curtura daquele xão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
Tem caxôrro nas ossada
E nem uma nuvi no céu
Eu aqui nesse cordéu
Penso na vida passada
Quando num se via nada
Era só seca no lugá
Tomém mutio carcará
Disputano muitios ossão
Cunheço tudo do sertão
Pruquê eu vim foi de lá.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Paxão escundida no peito-interagindo com Hull de La Fuente

Interação do poeta Airam Ribeiro para meu texto “Noiva di Chicu Bentu”.de Hull de La Fuente http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/2584122
Paxão iscundida nu peitu
(dueto com Airam Ribeiro)
Inda alembro era minino
Lá na iscolinha do interiô
Eu num era muitio ladino
Nessa questão de amô.
Te amava as iscundida
Mais cum a alma firida
Eu fui sempre um sofredô.
Inquanto tu batia as aza
Pra xico Bento o facêro
Eu ia pra minha casa
Cum meu distino traiçuêro
Pru cauza dum caipira
Quagi qui cum u’a imbira
Minforcava no dizispêro.
Ele fugiu cum a Rozinha
Te dexano num dizalento
Pensei, ela agora é minha
Vai isquecê Xico Bento
Mais pra mim ocê num oiô
E eu cuntinuei cum a dô
Sem isperança só tormento.
Inté oji inda te ispéro
Istá aberto meu coração
Xico Bento ta cum ôtra
Ele num gosta docê não
Ele num te qué nem sabê
Vem pra quem gosta de ancê
Vem matá minhas paxão.
Joga essa aliança fora
E óia mais para quem te qué
Vamos juntá os pano agora
Bota no meu amô mais fé
Eu vô te ajudá a isquecê
Aquele que te fez sofrê
E seja lá o qui Deus quizé.
MUSA DU PASSADU
Hull de La Fuente
Si tu sufria na iscola
Purqui nunca falô nada?
Pra ninguém eu dava bola
Eu era invergonhada.
Só cum meus dizesseis anu
Mudô tudim us meus pranu
Pur ficá inamorada.
Eu nunca bati as aza
Pois meu pai nunca dexô
Eu namorava im casa
Nunca fui di fulosô.
Fui gostá di Chicu Bentu
Mais issu inda lamentu
Minha vida si atrapaiô
Si ocê di mim gostava
Pra mim nunca demonstrô
Cas outra ocê brincava
Ti vi inté danu flô.
Nas trança da Filumena
Ocê pois uma açucena
E um versu decramô.
Ocê casô ca Maria
Pur ela era apaxonadu
Teve uma renca di fia
I cuntinuô caladu?
Dispois seu céu fico turvu
Quano ocê fico viúvu.
Nunca mi mandô recadu.
Mais si é verdadi a paxão
Qui ocê senti pur eu
Dependi da cundição
Vô ti aceitá meu Romeu.
E a parti dessa óra
Jogo a aliança fóra
Já ti cunsidéru meu.
Airam Ribeiro
.
Essa musa do passado
Min deu tanta inspiração
Ficava te oiano de lado
Quagi lôco de paxão
Pru cauza de Xico Bento
Eu nun tumava intento
Isperano a ocasião.
Um dia levei u’as fulô
Inté maginava a sena
Eu ia te falá de amô
Mais eis quem te acena!
Fiquei cum reiva no momento
Tu se abraçô Xico Bento
Eu dei as fulô Filomena.
Inté préla uns verso fiz
Mais tava oiano procê
A muié qui num mi quis
E qui min fazia sofrê
Da Filó eu min afastei
Pois dela nunca gostei
Pois só pensava ni ocê.
E ocê cuntinuava
Cum Xico Bento incrontá
Antonce eu min afastava
De ocê bem digavá
Foi quando cuicí um dia
U’a muié de nome Maria
Qui cum ela eu fui cazá.
Mais o distino num quiria
E fez a preparação
Levô Maria um dia
Vi saino no caxão
Dexano os fio duente
E os pobrizin inocente
Fui criá sem condição.
Eles intão se crescêro
E o mundo eles ganhô
De mim dizaparicêro
E sozin sem ninguém tô
Mais agora te incrontei
E jamais eu dexarei
Iscapá ocê meu amô.
Ta quais pronto o ranxin
A inergia nóis usa o luá
Tulevizão é a jinela
Para o céu nóis oiá
As luis vem dos pirilampo
E os ares puro do campo
É qui nóis vai respirá.
A água vem lá da serra
Onde tem u’a nascente
Ela vem imbáxo das terra
Vem nos cano tô ciente
Nóis vai bebê água pura
Pois ela vem cum fartura
Sem ninguém cobrá da gente.
E lá naquele ranxin
Nóis vai relembrá o passado
Ao lado da fogueira e quentim
Nóis vai cumê mio assado
E nas noite de São Juaão
Nóis vai dançá no salão
Agarradim, abraçado.
http://osertaoempoesia.blogspot.com/2010/10/reencarnacao-dum-sabia-airam-ribeiro.html
segunda-feira, 29 de março de 2010
A lenda da mandioca

Esta raiz maravilhosa
Que dela é tudo gostoso,
Nos conta os índios parecís
Das bandas de Mato Grosso.
Zatiame uma índia
De nome Kôkôrêtô,
O seu filho Zôcôiê
E a filha Atiôlô.
O pai amava o índio
Que era sua maravilha,
Porém nunca dirigiu a palavra
Para a índia sua filha.
Ela muito desgostosa
Por não ter esse carinho,
Queria ser enterrada viva
E para a sua mãe pediu.
Desejava ser útil aos seus
Assim falava Atiôlô,
E o seu pedido foi fazer
A mãe índia Kôkôrêtô.
Cedendo aos rogos da filha
Foi enterrada no cerrado,
Porém ali não pôde resistir
Porque o calor era danado.
Rogou que a levasse para o campo
Onde poderia sentir bem,
Mas no campo não deu certo
E tornou implorar também.
Mais uma vez pediu
A sua mãe Kôkôrêtô,
Que a enterrasse na mata
Que assim fez com muito amor.
Lá se sentiu à vontade
Que pediu a mãe que retirasse,
E que não volvesse seus olhos
Enquanto ela não gritasse.
Depois de muito tempo
Enfim, a filha gritou,
Para lá saiu correndo
A sua mãe Kôkôrêtô.
E onde enterrou a filha
Veja o que aconteceu!
Surgiu uma plantinha
Que na cova nasceu.
Um arbusto foi crescendo
Que rasteiro foi ficando,
Kôkôrêtô assim que viu
A sepultura foi limpando.
Limpou logo o solo
Que a plantinha viçosa,
Sustentada por uma raiz
Grande e maravilhosa.
Deu-se o nome de mandioca
A raiz daquela plantinha,
A filha ajudou os seus
Dando-lhes tapioca e farinha.
Airam Ribeiro
quinta-feira, 11 de março de 2010
O mel

Fui um dia colher mel
Num enxame de abelhas
Levei tanta ferroada
Que a pele ficou vermelha.
Apesar de tudo isso
Eu pude saborear
O mel gostoso das abelhas
Que um dia fui tirar.
Quanto doce é o mel
Eu pude observar
Então eu fiquei pensando
Dos que não tem paladar.
O mel é tão gostoso
Se puro ou no pão
Ele é muito apreciável
Na capital, no sertão.
Ele vem lá das flores
Colhida com muito carinho
Tome um pouco deste mel
Verás que é muito docinho.
Airam Ribeiro
América do Sul

Por Airam Ribeiro
Trezes são os paises
Incluindo o Peru,
Que fazem parte do mapa
Da América do Sul.
O Brasil é o maior deles
No sul está o Uruguai,
Ao Leste tem dois paises
A Bolívia e o Paraguai.
Ao norte destaca-se
A Guiana e a Venezuela,
Suriname e Guiana Francesa
Com culturas belas.
O país da Colômbia
Tem sua capital Bogotá,
Equador e o Chile
São banhados pelo mar.
Argentina é o segundo
Em extensão neste continente,
Que com os tangos de Gardel
Alegraram muita gente.
www.airamribeiro.com.br
e-mail airamribeiro@gmail.com
terça-feira, 9 de março de 2010
O amô
segunda-feira, 8 de março de 2010
Uma viagem sem volta
No recreio da escola
Bem em frente ao portão
Deparei com um amigo
Que me fez uma saudação
Com toda delicadeza
Ofereceu-me com fineza
Balas que estavam na mão.
Tirei o papel de uma delas
E disse muito obrigado
Chupei com muito gosto
Saboreando o melado
Dia seguinte fui atrás
E ele me ofereceu mais
Com gestos bem educados.
Aquela bala durinha
No recheio escondia
Um paladar diferente
Que a gustação não sentia
Fui ficando viciado
Que já estava acostumado
E uma mais forte queria.
O amigo do portão
Só queria me viciar
Acabaram as balas grátis
Agora tinha que comprar!
Vendeu-me uma mais forte
Que é para dar suporte
Para as barras enfrentar.
Nos goles do guaraná
Que ele me oferecia
Havia a droga líquida
Que com o gosto confundia
Tudo no início eram flores
Depois vem os dissabores
Logo que agente vicia.
Meus amigos afastaram
Nem família tenho mais
E a minha felicidade
Foi ficando para trás
Hoje sou um dependente
Sinto-me muito doente
Nada mais me satisfaz.
Iniciei com as balas
Depois fui para a maconha
Roubo para manter as drogas
Já perdi até a vergonha
A cocaína não me sustenta
Agora quem me fomenta
É outra droga medonha.
Dizia que ia para a escola
E pra outro canto desviava
Foi uma ida sem volta
Da mente desgovernada
Pra completar o ataque
Eu fui à busca do craque
As outras não valiam nada.
Para manter o vício
Assaltei para roubar
Depois ia para as bocas
Para as drogas comprar
Nesses assaltos que fiz
Eu fui muito infeliz
E alguém tive de matar.
A minha viagem sem volta
Começou em um portão
Hoje fujo da polícia
Sou um péssimo cidadão
Sou um bandido sem fé
Sei que meu destino é
Viver dentro de uma prisão.
Airam Ribeiro
E-mail airamribeiro@gmail.com
Bem em frente ao portão
Deparei com um amigo
Que me fez uma saudação
Com toda delicadeza
Ofereceu-me com fineza
Balas que estavam na mão.
Tirei o papel de uma delas
E disse muito obrigado
Chupei com muito gosto
Saboreando o melado
Dia seguinte fui atrás
E ele me ofereceu mais
Com gestos bem educados.
Aquela bala durinha
No recheio escondia
Um paladar diferente
Que a gustação não sentia
Fui ficando viciado
Que já estava acostumado
E uma mais forte queria.
O amigo do portão
Só queria me viciar
Acabaram as balas grátis
Agora tinha que comprar!
Vendeu-me uma mais forte
Que é para dar suporte
Para as barras enfrentar.
Nos goles do guaraná
Que ele me oferecia
Havia a droga líquida
Que com o gosto confundia
Tudo no início eram flores
Depois vem os dissabores
Logo que agente vicia.
Meus amigos afastaram
Nem família tenho mais
E a minha felicidade
Foi ficando para trás
Hoje sou um dependente
Sinto-me muito doente
Nada mais me satisfaz.
Iniciei com as balas
Depois fui para a maconha
Roubo para manter as drogas
Já perdi até a vergonha
A cocaína não me sustenta
Agora quem me fomenta
É outra droga medonha.
Dizia que ia para a escola
E pra outro canto desviava
Foi uma ida sem volta
Da mente desgovernada
Pra completar o ataque
Eu fui à busca do craque
As outras não valiam nada.
Para manter o vício
Assaltei para roubar
Depois ia para as bocas
Para as drogas comprar
Nesses assaltos que fiz
Eu fui muito infeliz
E alguém tive de matar.
A minha viagem sem volta
Começou em um portão
Hoje fujo da polícia
Sou um péssimo cidadão
Sou um bandido sem fé
Sei que meu destino é
Viver dentro de uma prisão.
Airam Ribeiro
E-mail airamribeiro@gmail.com
Ancim diria o passarin!

Mas que tanta alegria!
Porque canta passarin
Preso nesta gaiola
Muito longe de seu nin!
Diz amigo cantadô
Ta cantano a sua dô
Aí triste sozin?
Se soubesse respondê
Na certa ancim diria,
Canto a dô da sodade
De quem eu deixei um dia
Na galha da miruêra
Com a minha companhêra
Bem feliz eu vivia.
Até que o ser humano
Todo xeio de mardade
Preparô uma armadilha
Mostrano a preversidade
Pra alegrá seu coração
Prendeu-me no alçapão
Com tamanha crueldade.
Sem espaço pra voá
Vivo o meu dia a dia
Cantano pra nun xorá
Não sentino alegria
Estô nesta gaiola
E nada aqui me consola
Ser livre eu quiria.
Este ser humano
Que se diz inteligente
Por falta do que fazê
É que prende o inocente
Que vive no habitá
Com espaço pra voá
Que Deus fez pro vivente.
Quando este ser humano
Um dia cai numa prisão
Arranja logo um adivogado
Pra lhe tirá da detenção.
Valoriza a liberdade
Só pra ele na verdade.
Para o passarin não!
Mas Deus que está no céu
Que vê essa judiação
Cobrará do Homem um dia
E ele pagará intão
Lembrará da crueldade
Que fez com perversidade
Pagano tostão por tostão.
A terra foi feita
Para toda a criação
Todas têm o direito
Na Lei da Reprodução
Fez o espaço e a liberdade
Ele não fez a maldade
De criar o alçapão.
Airam Ribeiro
E-mail airamribeiro@gmail.com
www.usinadeletras.com.br
sábado, 6 de março de 2010
A rima é o meu tempero seu dotô!

Me descurpa ocêis sabidu
Qui fais puesia sem rima,
Na minha pobre linguage
Esse istilo num cumbina
Na puisia rimada
A gente lê ritimada
E a melodia se afina.
Mas peço de antimão
Qui perdõe esse otáro
Qui nun gosta de puisia branca
Pobre é seu vocabuláro.
A rima fais parte de mim
É por isso que gosto ânsim
Di iscrevê sem dicionáro.
Nun tenho o Aurélo
Pras fôias ficá passano
Eu iscrevo quarqué coisa
Derna qui seja rimano.
Na puesia rimada
Fico de arma lavada
Pra alegrá o ser humano.
Você de rico vocabuláro
E de grande sabiduria
Bota um pôco de tempero
Pôe rima nas puisia
Ela sem rima meu sinhô
É como casá sem amô
Não trás nenhuma aligria.
Descurpe a minha franqueza
De falá ânsim procêis
É qui nunca fui dotô
Na matéra purtuguês
Se eu iscrevê sem rima
Isso me disanima
De iscrevê outra veis.
Sou fio de cabôco rocêro
Meu custume é ser pacato
Minha iscrita é naturá
A você num disacato
Se iscreve puisia sem rima
Vai siguino sua sina
Mas me deixa co as do mato.
Gosto do chêro da rérva
Ni minha roça tem fulô
Qui rima cum tanta coisa
Até mêmo cum amô
Gosto de cumida cum tempero
E muié cum água de chêro?
Tombém gosto sim sinhô.
Airam Ribeiro
27/07/03
Tem gente qui iscreve um texto e diz qui é puisia!
Só vivo pensando em você

Acróstico
Sô matuto num sei amá
Ocê falô iço pra mim
Va cimbóra num vorte cá
Isso iscuitei foi o meu fim.
Vancê uzô de ingratidão
Oiô pra mim inda surrinu,
Pareci inté qui seu coração
Ele num tava mermo finginu.
Na solidão qui eu fiquei
Sabi Deus cuma inda tô
Ah iço eu nunca imaginei
Na vida ancim tê tanta dô.
Deus inda sabi cumo dizigêi
Ocê pra mim ci paxoná
Eu tenhu amô mais amá num sei
Mais mió é eu min debandá.
Vô levano cumigo a ingratidão
Ouvino inda a sua vóiz
Cê é matuto num sabi amá
É mais mió pra um de nóis.
Airam Ribeiro
Da série: O Matuto paxonado
Saúde bucal

Enquanto isso o Paulinho
Um garoto formidável,
Estava fazendo a festa
Com seu dentinho saudável.
Sem medo de escovar
E para não ficar doente,
Ele sabe que com isso
Nunca vai ter dor dente.
E a turma da limpeza
Que fazia a alegria dele,
Foi falando um por um
O que era bom para ele:
Eu sou o fio dental
Que está sempre presente,
Quando me chama vou limpar
As sujeiras entre os dentes.
Aqueles fiapos de carne
Que a escova não pode tirar,
Eu me embrenho nas fendas
E só saio quando limpar.
Eu sou a escova dental
Que passo pra lá e pra cá,
Carregando o creme dental
Para a boquinha ir limpar.
De baixo para cima
E de cima para baixo,
De um lado para outro
Desse jeito eu me encaixo.
Eu sou o creme dental
Que mato as bactérias,
Estou falando a verdade
Olhe só não é pilhéria!
Pois na cacunda da escova
Eu sigo pra lá e pra cá,
Vou limpando direitinho
Até vê-los brilhar.
Escove também a língua
Para a limpeza completar,
Pois pode ser que seja nela
Que o mau hálito pode estar.
De boca aberta e alegre
Vou por aí sorridente,
Mostrando a todos o valor
Que tem em tratar dos dentes.
Airam Ribeiro
www.recantodasletras.com.br
www.usinadeletras.com.br
A cárie

Joãozinho era bagunceiro
Não parava num lugar,
Chutava latas, brigava!
Chorava para não estudar.
Gostava de jogar bola
Na rua era traquino,
Tinha muita energia
Pra vender, esse menino.
Brigava com seus irmãos
Mexia aqui mexia ali
Era mesmo traquino
O Joãozinho de Ibicuí.
Um dia na reunião
Do conselho escolar,
O menino quebrou a porta
Querendo na sala entrar.
Joãozinho não deixava
A turma se concentrar,
Mas veja quem apareceu
Pra Joãozinho visitar!
Dona cárie a malvada
Pra quem não quer escovar,
Naquele dia o menino
Ficou sem querer falar.
Ficou meio acabrunhado
A ninguém dava conversa,
Não era aquele menino
Que tanto acabava a festa!
Ela visitou o Joãozinho
Porque ele não se cuidou
Ele não escovou os dentes!
Por isso sentiu a dor.
Airam Ribeiro
airamribeiro@gmail.com
www.recantodasletras.com.br
Carta de Tiãozin pra papai Noé

Paul Mick tem presente
O Papai Noé li visitô
Mais Tiãozin nun ta contente
Pruquê presente nun ganhô.
Cuma puxa êçi Noé
I eu aqui nêçi cordé
Falanu dum tapeadô!
Fico inté a duvidá
Se este Noé mermu izizti!
Queru inté aquerditá
Qui o meu cordé inté incisti...
Mai aqui cum us meu butão
Eu alevantu éça questão
Du pruquê Tiãozin ta tristi!
As luizinhas colorida
Inté qui eu axu bunitu
Mai aquelas renas vuandu...
Sem asa é mêi isquizitu
No prezépi ta u minino
É Jesuis o pequenino
Qui todo dia eu vizitu.
Mai o Tiãozin ta acuado
Nun cantin intristicidu
Causa du presente qui nun ganhô
Dum Noé discunhicido
As rádia ficô a nunciá
Qui nas noiti di Natá
Ele ia ficá aparicidu.
E Tiãozin isperô tanto
Paul Mick brincando
Com seu presente bunito
E com sua bola quicandu
O bixin inté tristeceu
Qui inté u’a carta iscreveu
E nela ancim ia cintandu.
Papai Noé nun judia deu
Os pobri das vizinhança
Paçô o anu todu falandu
Qui o sinhô nas sua andança
Os presente ia aqui trazê
Xega o Natá e eu tava a crê!...
Era éça a minha esperança!
O sinhô foi na casa de Paul Mick
Fio de Daltué fazendêro
Foi inté na casa di Paulo Vito
Fio daquele banquêru
Pruquê nun foi no meu ranxin
Levá o meu presentin
Min arresponda içu digêru?
Eu preciso bem sabê
Pruquê o sinhô num mi vizitô
Si in todas as casa dus rico
Os presente eles ganhô
Min diz inton Papai Noé
Eu devo tê inda éça fé,
Ou nun devo mais querditá nu sinhô?
Min arresponda queru sabê...
É tantu anunçu nas tulevizão
A inxê meu zóio de vontadi
Ou será qui tudo aquilo é iluzão?
Pruquê tanta presentança
A min inxê de isperança!...
Min diz papai Noé, num tapia não!
Todu anu fico isperanu
Cum meu sapatin na jinela
Pruquê min garantiru
Qui u sinhô vinha na favela
Mai eu tenhu percebidu
Qui meu tempu foi perdidu
E qui a históra nun era aquela!
Qui agenti iscuita por aí
Qui todu mundu vévi a contá
Qui o sinhô visita us pobri
In todas as noiti di Natá!...
Veju u’a festa das cumelança
Ondi o pobri num tem isperança
Pruquê nunca vai ci igualá.
Cuntentu cum mia bola di mêia
Di panu véio qui axêi nu quintá
Cum ela brincu cum o Quinca
Nua aligria qui nun tem iguá
Nun querdito mai noçê Papai Noé
Ocê é coiza qui us grandi incré
Inventaru pru Natá!
Airam Ribeiro
www.usinadeletras.com.br
e-mail airamribeiro@gmail.com.br
Mas cadê meu companheiro, cadê?

(Dedicado ao irmão Eloino)
“Mas cadê meu companheiro, cadê?
Que cantava aqui mais eu, cadê?
Na calçada no terreiro, cadê?
Cadê o companheiro meu, cadê?
Saiu pras lapas do mundo, cadê?
Lapa do mundão de Deus, cadê!”
(Elomar Figueira de Melo)
Agora eu fico a perguntar
Quem vai ser meu companheiro?
Quem vai cantar comigo
Quem vai ser meu conselheiro?
Hoje eu senti um vazio
E não achei você prá desabafar
As minhas angustias e tristezas
E muitas perguntas no ar
Que sem respostas passei o dia
Tentando conter a nostalgia
E meu consolo foi chorar.
Até senti um vento brando
No meu rosto a carinhar
Na mente veio à intuição
Será que veio me consolar?
Deu-me uma vontade danada
De querer cantar essa toada
E assim comecei a entoar.
E baixinho fui cantando
E com o coração palpitando
Cantei a música de Elomar
E quando eu estava cantando
Senti que também você
Estavas em lagrimas a conter
E na música me acompanhando.
“Mas cadê meu companheiro, cadê?
Que cantava aqui mais eu, cadê?
Na calçada no terreiro, cadê?
Cadê o companheiro meu! Cadê?
Saiu pras lapas do mundo, cadê?
Lapas do mundão de Deus, cadê?”
Quando esse vento brando
Aos meus ouvidos sussurrar
Saberei quem deu saudades
Das músicas de Elomar.
Aproveitarei esse momento
E entoarei com este vento
As músicas pra recordar.
Vou seguir a minha estrada
Com você no pensamento
Sentirei a sua presença
Quando sussurrar o vento
E quando eu quiser conversar
Numa estrela irei meditar
Pois lá estará eu sei no firmamento.
Airam Ribeiro 07/02/07
Várias vezes cantei músicas de Elomar com Eloino nas viagens que fazíamos juntos e a música que mais cantamos foi esta aí. Para mim ele foi um pai, um amigo e meu conselheiro, todas as lágrimas que eu derramar na saudade deste companheiro sei que ainda será pouca. Agradeço a Deus que me enviou para Itanhém para poder conhecer este grande homem e com ele conviver por 34 anos.
O doido Telate

Telate não foi o cara
Mas por aqui ele passou
Mais ou menos seus trinta anos
Só que ninguém anotou
Ninguém da bola pros doidos
Mas Telate aqui morou!
Sempre calmo de nascença
Dele ninguém teve dó
Morava na rua da casa do motor
De Jamilton a Olavo Brechó
Um dia prenderam Telate
Que foi parar no xilindró.
Dia de feira de madrugada
Telate prepara pra fugir
Fez um buraco na parede
Fingindo que estava a dormir
E num sábado de madrugada
Foi que ele deu de escapulir.
Que ferramenta abriu o buraco?
Olha só as unhas da mão!
Doido? Doido eu já lhe digo
É quem guardava a detenção
Pois quem dava em Telate
Tinha cem anos de perdão.
Os outros presos também
Aproveitando a ocasião
Perna pra que te quero
Não vou ficar também não
A Telate agradecemos
Por ter saído da prisão.
É, mais com o Soldado Soares
Telate não combinava
É que o soldado Soares
Tinha uma conversa afinada
Para prender o Telate
Bastava uma conversa fiada.
Um dia Telate outra vez
Ficou preso no chiqueiro
Achavam que Telate era louco
E deixou ali o tempo inteiro
Tomando sol e chuva
E dormindo no lameiro.
Chiqueiro pra quem não conhece
Era certo tipo de quadrado
Igual uma grande fogueira
Com troncos de paus pesados
Bem amarrados nas pontas
Onde o louco era enjaulado.
E naquele quadrado feio
Igual fogueira de São João
Telate assim falava
Para o nosso amigo Begão
-Dá esse sapatim pra mim
A resposta eu não sei se foi não.
E olhou pro conga outra vez
-Dá esse sapatim pra mim?
-Telate não da em você
Olha só o tamaizim!
-Serve sim, pois o meu pé
É quiném pé de bebezim.
Esse foi o doido Telate
Na sua vidinha simplória
Mas que foi um ser humano
Que também teve memória
É por isso que existem poetas
Pra lhes contar essas histórias.
Por Airam Ribeiro
12/03/07
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